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terça-feira, outubro 10, 2006

"GRE-nal é GRE-nal e vice-versa"

Navegando internet adentro, aportei no site da Confederação Brasileira de Futebol, e dados interessantes apareceram na minha frente. Na seção sobre a série A encontra-se estátisticas relacionadas ao campeonato - público, rendas, arbitragem. Descobri que o próximo adversário do Imortal Tricolor é um gigante nas estatísticas.

Primeiro vamos dar uma olhada na média de público de cada time até agora no campeonato:


O Imortal aparece em primeiro, disparado. A torcida tricolor não é de conveniência, é na boa e na ruim!
Agora o nosso ilustre adversário, possui simplesmente a pior média de público. A soma total de "torcedores" desse azulinho é pouco maior do que a média de público/jogo do Grêmio.

Olhemos os menores públicos de cada jogo do brasileirão:

Dos 10 menores públicos, nada mais nada menos do que 8 (sim oito!) são do grande São Caetano. Clube de muitas tradições, com pouco menos de 3 décadas de vida, que subiu heroicamente à série A sem nunca ter jogado sequer uma partida da série B.
Essa é a justíssima Confederação do país do futebol.

Agora, alguém me explica como nosso clube peleador, BIcampeão da américa e e mundial, que já criou e amamentou tantos craques brasileiros (Renato Portaluppi, Jardel, Roger, Dinho, Danrlei e (já ia me esquecendo) Andershow e Lucas) nunca ganhou desse azulinho?

Pois é, originalmente "futebol é uma caixinha de surpresas" e "nós temos que trabalhar, seguir as orientações do professor, em busca do resultado positivo" afinal "quem não empata, nem perde, ganha".

Assim o jogo mais complicado para o Grêmio nessas rodadas restantes, não é contra o São Paulo no Olimpico, nem é o GRE-nal, mas sim o próximo no ABC paulista. Quebrar um tabu é coisa complicada, por mais ridículo que este seja. Então vou quase afirmar que, o jogo no "caldeirão" chamado Anacleto Campanella, com sua massa de 450 esperados "torcedores" vai decidir se o Tricolor escreverá a história mais uma vez, sendo campeão da Segunda num ano e da Primeira no seguinte.

"Somos campeões do mundo, da libertadores também
Chora macaco* imundo, tu nunca ganhou de ninguém

Somos da banda mais louca, da banda louca da geral

A banda que corre os macacos* do internacional!"



* - macacos é como os torcedores colorados são chamados (até por eles mesmos) aqui no sul, assim como palmeirenses são porcos, corinthianos são gambás e são paulinos, bambi. Não possui nenhuma conotação racista e não deve ser entendido desta forma. Maiores esclarecimentos podem ser lidos aqui.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Seu filho não é batizado? Seus problemas acabaram!


"Em uma decisão inédita, o papa Bento XVI deve reavaliar o que acontece com as almas das crianças depois da morte. A Igreja Católica deve abolir a idéia de limbo - estado de espírito que até agora explicava o destino de bebês e fetos que morrem sem o batismo. Desta forma, as almas dos mortos teriam apenas três destinos possíveis, segundo os católicos: Paraíso, inferno ou purgatório.(...)"
Zero Hora - mais aqui

Leram bem? Deixa eu ressaltar uma parte: "o papa Bento XVI deve reavaliar o que acontece com as almas das crianças depois da morte."

Alguém pode me explicar de onde surge todo esse poder para uma pessoa? Então há uns meses atrás ele não passava de mais um cardeal do vaticano. Os outros cardeais pensaram, pensaram e decidiram que o indíviduo chamado Ratzinger será o papa e PÀ! Ele tem toda a liberdade de fazer o que quiser, inclusive extingüir, por decreto, um lugar metafísico chamado limbo que até então era destino de todos os bebês que morriam não-batizados.

O que será dessas crianças que tiveram o azar de morrer antes do papa "reavaliar" essa questão? Terá que haver todo um processo de reinclusão social dos limbenses no paraíso. Imaginem o preconceito que se criará sobre essas pobres almas.

É bom o senhor Chico Bento XVI se preparar para ser processado em massa quando partir dessa para melhor.

Big Earl
Ainda não achei minha nave

quarta-feira, outubro 04, 2006

Do arroz embolado, da alga e da carniça de peixe

Fazia, até ontem, três meses e meio que não colocava um pedaço de carne (e por carne, entenda-se qualquer cadáver - bixo morto) na boca. Claro que não posso garantir, para mim mesmo, que não comi nenhum resquício de animal. Almoço em bifês executivos, por mais que me esforce, devo ter engolido algum pedaço de defunto.
Note-se que não como carnes mortas, mas carnes vivas continuam no cardápio.


Foram ótimos esses três meses e meio. As refeições eram leves, e apesar de sair de algumas deles bem satisfeito, o peso do buxo (vísceras, estômago, intestino) não permanecia por 2 horas como em uma refeição carniceira. Convicto que retirar animais da dieta foi uma das melhores escolhas que já fiz, ontem realizei meu último teste: fui a um rodízio de sushi.

"Mas Sushi??. Gaúcho come Sushi??"
Gaúcho come muitas coisas. E apesar de não sermos fazões de peixe, a culinária japonesa adentrou nossa terra há um bom tempo.
É de conhecimento popular que churrasco é extremamente pesado: Maminhas, picanhas, salsichão, coraçãozinho, costela, costelão, linguiça, lombo de porco, costela de porco, galeto, ripa, polar, bohemia, skol. Meu estômago, já um pouco acostumado com o vegetarianismo, não ia suportar comida desse tipo. Então o teste iria até valer para carnes, mas para peixe que é muito mais leve não.

"Mas que mané teste é esse?" - Nerdzinho maloqueiro pergunta.
Eu queria confirmar por experiência própria, que apenas comemos carne por costume, cultura. Nosso organismo não parece ser preparado para digerir animais. E ontem verifiquei isso com a própria barriga.

No rodízio do Sashiburi (excelente por sinal) estão presentes os mais variados tipos de sushis e sashimis do mundo nipônico. E há três meses e meio atrás, esse restaurante estava entre meus TOP 3. Assim a experiência iria expor as modificações ocorridas em mim.

Entrando no estabelecimento, já senti a diferença. O cheiro de peixe era terrível. Parecia que eu estava nalguma peixaria podre do século XV (nem tanto, mas era ruim). Comecei com um misoshiro (sopa de queijo tofu com cebolinha) e uma tábua de shimeji (cogumelos na manteiga). Logo após vieram alguns rolinhos primavera de legumes, e muito gengibre na conserva (para o pós-janta/pré-sono). Tudo muito bem, tudo muito bom. Então o velório começou. Os defuntos vieram dispostos e muito bem decorados no seu barco fúnebre. Sashimis, makis, temakis, uramakis, niguiris, e assim vai. "Bueno" pensei, "Não vai ser um peixe morto que vai me derrubar" e com meus hashis (aqueles palitinhos nada práticos) em mãos avancei sobre o sashimi de salmão. Aí uma conclusão interessante: o que 4 meses atrás fazia eu chegar ao orgasmo gastrônomico, ontem o sashimi não passou de um troço frio, gorduroso e fibroso na boca. Parecia que tinha comido um daqueles brinquedinhos pra nenê morder, de plástico com água dentro. Decepção (por não sentir o mesmo prazer) /Satisfação (pelo teste funcionar). Fui para o meu segundo na lista - Skin: arroz com uma tira de peixe defumado com pele, envolto em uma fita de alga e uma espécie de mel. De novo o que era uma delícia passou a ser algo extremamente pútrido (na real, pelo sentido, esse adjetivo não cabe aqui - mas sua fono-semântica cabe) .

Depois de experimentar aqueles pedaços de cadáveres decoradinhos em cima de bolinhos de arroz, me senti como se tivesse saído de uma churrascada de domingo. A cabeça e o estrombo pesaram e fiquei até um pouco tonto. Precisava de ajuda. Não por acaso, vi fios de cenoura e de nabo no barquinho fúnebre. Avidamente, me traquei nos vegetais com bastante shoyo. Isso me aliviou um pouco. A garçonete perguntou se desejávamos mais alguma coisa. E o que me salvou a noite foram os sushis de couve-flor fritas, de brócolis e outros com shimeji que chegaram em seguida.

Não suei frio de noite, nem cheguei a vomitar. Mas o trabalho que foi dado ao digestor (sistema) foi grande. Imagino o que seria de mim se tivesse ido a uma galeteria. Não ia faltar tinta na porcelana.

Big Earl
Ainda não achei minha nave

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