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quarta-feira, dezembro 27, 2006

Guia para um Desastre 2007


Nessa época do ano, é comum o pessoal fazer resoluções e previsões. Nós do PB queremos fazer algo mais útil e que possa ser usado por nossos leitores nesse período de feriados. Aqui está nosso Guia para um Desastre 2007:

Não revise seu carro, isso é coisa pra maricas que não sabem dirigir.

Passe a noite anterior a viagem em um bar bebendo com os amigos. Amigos são a coisa mais importante, e como você ficará longe deles é melhor fazer uma bebedeira de despedida. Fique até de manhã, dormir também é para maricas.

Faça um estoque de cerveja num isopor. Você se sentirá muito mal se elas acabarem no meio da viagem.

Lembre-se de marcar a hora de partida para contar o tempo na chegada.

Procure sair na hora em que tem mais caminhões na estrada. Caminhões são ótimos para testar seu carro e sua habilidade como piloto nas ultrapassagens. Se não sentir-se seguro, e caso tenha acabado a cerveja, pare num posto e tome mais umas brahmas. Em pouco tempo você será um ás no volante.

NUNCA pegue a freeway ou qualquer autoestrada parecida. Vá pela 101, tem mais caminhões, mais buracos, mais aventura. Estilo Rally Paris-Dakar.

Se a 101 estiver muito lenta, lembre-se de ir pelo acostamento. Perdedores não se importam de ficar pra trás. Você sim.

A melhor ultrapassagem é a que proporciona a maior emoção. Quanto maior o risco, maior a adrenalina.

Não esqueça do seu 38 para qualquer desentendimento proposital eventual.

O papo de que maconha faz mal é bobagem, ela até ajuda a acalmar. Portanto se estiveres muito irritado durante o percurso, fuma um beque.

Chegando na praia, perto do meio-dia, compre um frango assado, meio kilo de polenta frita, arroz e feijão. Come tudo em menos de 10 minutos e vá relaxar, fazer a céstia, com uma bela nadada até depois da rebentação. Na hora do almoço, quando não tem salva-vidas.

Depois do banho, cheio de energia, jogue um futebol de areia. Para dar carrinho e ponte, não tem lugar melhor.

Para descansar, deite-se no sol, relaxando e de repente dormindo até umas 6 que é quando o sol já está fraco.

Protetor solar? Pff, maricas. O bom mesmo é bronzeador. Branquelo na praia é turista europeu.

Compre bastante fogos de artifício para a virada. Nada mais legal que atirar fogos na horizontal.

Dica: Segure o foguete no ombro, assim tu podes fingir que está atirando de bazuca.

Dica 2: Se tu fores bem macho, mas macho mesmo, tu põe a cabeça logo antes do foguete disparar. Assim tu pode mostrar o quão ágil tu consegues ser.

Estoure as champagnes nos outros. Mire na testa.

Não se esqueça de beber bastante. Feriado sem álcool é que nem chupar bala com papel, não tem a mínima graça. Ah sim, quer te divertir mesmo? Não use camisinha. Além de ser melhor tem mais emoção, e essas coisas só acontecem com os outros.

Boas Festas.


Big Earl
Ainda não achei minha nave

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Morrer ou não morrer? Eis a questão


Apesar do Roberto Pompeu de Toledo não pertencer a este blog, quando eu li a coluna dele dessa semana na veja, vi o nosso estilo copiado retratado(modéstia à parte, vou deixar pra vocês julgarem). Eu sei que a maioria dos nossos leitores é informada e lê revistas. Mas não posso deixar passar a genialidade deste ensaio, então vou reproduzir aqui no PB na íntegra pra vocês.

Morrer ou não morrer?
Eis a questão

Cenários de como seria o mundo, a partir
de uma
premissa de Salvador Dalí

Todo o problema, para Salvador Dalí, tinha origem em Júlio Verne. A tese foi desenvolvida numa entrevista da década de 60 à jornalista Yvette Romi, da revista francesa Le Nouvel Observateur, e seguia esta linha de raciocínio:

"Por causa de Júlio Verne, estamos condenados a morrer como insetos. Verne queria conquistar o espaço e ir à Lua. Para quê? Não há nada a ganhar nos outros planetas. Em lugar de desperdiçar energias em conquistar o espaço, o esforço científico devia se voltar para o código genético, a hibernação. Descobrir um meio de não morrer. Importante é ressuscitar, não ir à Lua. Portanto, cada vez que alguém morre, é por causa de Júlio Verne".

Dalí tinha 62 anos na época da entrevista. A corrida espacial vivia seu momento mais acentuado, e fazia parte da guerra fria entre as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética. Dalí era meio extravagante, como se sabe, e, mais ainda do que ser, gostava de parecer extravagante, mas reconheça-se que tinha um ponto: a ciência, então como agora, realmente não concentra seu foco na questão da imortalidade. A medicina faz avanços e prolonga a vida, mas da imortalidade propriamente dita não cogita. Digamos porém que cogitasse. E digamos que o desejo expresso pelo artista catalão tivesse boas chances de realizar-se. Alguns pontos, ocultos no raciocínio do pintor, precisam ser esclarecidos, para que imaginemos como seria o mundo uma vez instaurada a imortalidade.

Em primeiro lugar: revogada a morte, seriam também revogados os nascimentos? Hipótese um: não. Os nascimentos continuariam a ocorrer. Ao fim deste ano de 2006, 140 milhões de bebês terão nascido no mundo. Suponhamos que a imortalidade entre em vigor desde já. Nenhum desses 140 milhões morrerá. E também nenhum dos 140 milhões que nascerão nos anos seguintes, supondo, num cálculo conservador, que a média permaneça a mesma. Ao fim de dez anos, em 2016, 1,4 bilhão de pessoas se acrescentarão à atual população mundial de 6,6 bilhões. Ou seja: seremos 8 bilhões. As presentes previsões, feitas com base num mundo em que ainda se morre, é que esses 8 bilhões só seriam atingidos em 2026. Com o banimento da morte, chegaremos a eles dez anos antes. Em 2050, sem mortes, mas com nascimentos, saltaremos para mais de 12 bilhões, quase o dobro do que somos neste 2006 ? e basta de números. Já deu para comprovar o que estava claro desde o início: o mundo conheceria uma crise de superpopulação de proporções avassaladoras.

Não haveria alimento nem moradia, muito menos trabalho para tanta gente. E logo também começaria a escassear o espaço, depois de as populações terem se instalado em cada floresta disponível, cada ilha, cada deserto. O planeta ficaria apertado como ônibus na hora do rush, com gente pendurada nas bordas. Uns se voltariam contra os outros. Os melhores cérebros seriam convocados para descobrir algum meio de retomar as guerras, em desuso desde que a ausência da morte as tornou impraticáveis. Enfim, povos e governos se engajariam num clamor contínuo e desesperado para que a morte fosse restabelecida (dos outros, de preferência). O colapso seria inevitável. A menos que... A menos que o sonho de Júlio Verne fosse desengavetado e, em regime de urgência, se retomasse a exploração do espaço, com o objetivo de encontrar planetas onde alojar os excedentes da superlotada Terra.

Já se vê que, considerada a hipótese um, a tese de Dalí descreve uma parábola de boomerang e acaba por voltar-se contra si mesma. Hipótese dois: os nascimentos também seriam suspensos. É o mais lógico. Uma vez que o ciclo biológico foi interrompido numa ponta, que o seja também na outra. Os habitantes da Terra tratariam de encontrar um modo de convivência uns com os outros, e cada um com o vizinho chato, o colega ciumento e o parente intratável, pois estaríamos condenados a tolerar uns aos outros pela eternidade afora. Não haveria morte mas também não haveria renovação, nem uma única e escassa cara nova despontaria no planeta, o que tende a conduzir a um tédio asfixiante, mas, vá lá, a ausência de morte compensa.

Põe-se uma questão, porém: suspensos os nascimentos, estaria igualmente suspenso o sexo? É justo pensar que sim. Por um tempo, talvez ainda permanecesse a prática do sexo por diversão. Mas, considerando-se que a continuidade das espécies, a lei primeira dos seres vivos, teria perdido a razão de ser, é de prever que os mecanismos pelos quais se processa tal continuidade tenderiam ao declínio e ao definhamento. Pela lógica da evolução, teria lugar a atrofia dos órgãos reprodutores. Mais um pouco, e é de imaginar que desaparecessem também as diferenças entre homem e mulher, irmanados ambos os antigos gêneros numa consistência próxima à dos anjos. Eis aonde nos levou a tese de Dalí: um gambito pelo qual trocamos a imortalidade pela renúncia ao sexo. Vale a pena? O(a) leitor(a) está convocado(a) a se dedicar a pensar no assunto. No fim de ano, tempo de festas e de férias, sempre se arranja um tempinho.

Roberto Pompeu de Toledo - Veja


Big Earl
Ainda não achei minha nave

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Ganhando dinheiro sem esforço


É isso que se quer certo?
O pessoal fica procurando na internet meios de ganhar dinheiro. Então tem aqueles do trabalhe em casa, em que tu entras em sites, clicas em milhares de links pra ganhar 2 reais no fim de uma semana. Ou responde a trocentas pesquisas pra ganhar uns 5 reais por pesquisa. Tem aquela turma do ProBlogger, que pensa "Ah, como seria bom se eu pudesse ganhar dinheiro com o meu blog, só escrevendo".
Acontece que o que esse povo não se liga, é que todas estas situações demandam esforço. Vai tentar ficar clicando em um monte de link ou fazer várias pesquisas e calcula o quanto tu ganhou e qual o teu ganho por hora. Entra no Contraditorium (um dos melhores blogs sobre blogs do Brasil) e tu vais ver que ganhar pra escrever é interessante, se tu gosta de escrever como trabalho. Porque pra ganhar dinheiro considerável com blog, é preciso muito trabalho meu amigo.
Então não temos salvação? Não é o que os caras desse blog aqui pensam. Eles tem uma proposta interessante, seguindo a linha do livro "Pai Rico, Pai Pobre" sobre como tratar com grana, sobre como aprender o que os ricos fazem pra ganhar dinheiro. Obviamente que se está falando de como enriquecer por meios legais, éticos e dignos, porque senão seríamos deputados.


Big Earl
Ainda não achei minha nave

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Parafraseando André Petry: Meu Brasil Brasileiro



Nesse post, no longínquo mês de agosto de 2006, nós comentamos sobre a linda, honrosa, digna, ética e estupidamente cheia de vantagens, profissão de Deputado Federal. Comentamos o seu alto salário, de 12 mil reais, mais todas as vantagens que deputados e senadores (figuras da estirpe de, entre outras, clodovil, paulo maluf, collor, acm,..) recebem e o custo disso para o Brasil.

Pois bem, apesar deste post não ter o intuito de ser informativo (acredito que todos sabem da notícia) vou apresentar o fato: os congressistas decidiram ontem (sim, ontem mesmo, sentaram e decidiram - rápidos não?) que seus salários receberão um aumento de 91%, equiparando-se com o salário do ministro do Supremo Tribunal Federal. Eles receberão nada mais nada menos que 24 mil reais! Claro que as vantagens continuam.

Qual o efeito disto? Hoje as Assembléias estaduais já anunciaram que também acompanharão o reajuste. Do Terra:
Constitucionalmente, um deputado estadual ganha até 75% do que recebem o deputado federal e o senador; e o vereador, 75% do salário pago ao deputado federal. Com o salário do deputado federal aumentando para R$ 24,5 mil, o deputado estadual deverá ganhar R$ 18,3 mil, e o vereador, R$ 13,7 mil. Antes, um deputado estadual recebia R$ 9,6 mil e um vereador, R$ 7,2 mil.
Que maravilha! O povo brasileiro deve se regozijar, alegrar-se por ver tanta gente tão bem sucedida. Afinal num país com 180 milhões de habitantes, com trocentos impostos, o dinheiro deve ser aproveitado em algum lugar. Lembremo-nos da física: Nada se cria nada se perde, tudo se transforma.


Big Earl
Ainda não achei minha nave

domingo, dezembro 10, 2006

Long live the Shit! (ou Salve a Merda!)



Quando pensamos em merda, principalmente a de cavalo, normalmente despertam sentimentos negativos. Aquele cheiro desgraçado se espalhando pela rua. Nos lembramos de uma carroça desgrambelhada (palavra inventada com a fono-semântica apropriada - não preciso dizer o que significa) com um cavalo surrado, velho e cansado. Claro que se dois cavalos brancos e fortes levando uma carruagem, com suas crinas longas e esvoaçantes carregando duas gêmeas russas da família real, cagassem, seria o mesmo cheiro de merda. E é unânime que cheiro de bosta é ruim, ponto final.

Acontece que nada é intrinsicamente bom ou ruim, e aí que quero chegar. Apesar de fezes eqüinas serem desagradáveis no meio da rua, elas são apenas um problema a curto prazo e numa área pequena. Se bem utilizadas elas podem ser o grande lance de um negócio. Se alguém aqui sabe o que um biodigestor é, vai entender o que estou falando. Um biodigestor pega qualquer merda (agora aqui no sentido figurado) e transforma em fonte energética e adubo a serem usados em uma propriedade agrícola. Tu colocas a merda de um lado, ela entra num cilindro relativamente grande e fica ali maturando. Durante a "maturação" (fermentação) acontece a liberação de gás metano que é usado como gás de cozinha, "junker", lareira, etc. Do outro lado, sai as fezes envelhecidas, que se transformam em um ótimo adubo. Os agricultures que usam biodigestores em suas propriedades as vezes não sabem o que fazer com tanto peido (o gás da merda) daí têm que embutijar (colocar em um butijão) e vender.

Agora alguém me aponta as vantagens do gás carbônico e do monóxido de carbono lançados às toneladas na atmosfera toda hora? Quem reclama quando passa um carro liberando esses gases do seu lado? Se não for um caminhão com motor desrregulado, o que convenhamos é 100% terrível, ninguém irá reclamar. "Bá cara, esse pinta aí no vectra tá soltando vários gases no ar pô". Pois é, ninguém dirá isso, apesar de esse ser um problema muito maior que um cheirinho de comida parcialmente digerida.

Enquanto não lançam o carro elétrico ou o carro a hidrogênio...

Salve a merda!

Divulgue o Plastico Bolha no seu site e ganhe um pirulito na saída da consulta.