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segunda-feira, setembro 11, 2006

Da incrível e fértil mente humana

Do que resta ainda em minhas sinapses, e obedencendo a ordem, a qual acredito ser a cronológica, na qual os fatos ocorreram, a estória inicia-se assim:

Era um salão, um salão parecido com uma igreja pequena também lembrando um teatro. Sim, teatro define melhor, pois afinal eram quase 100 pessoas e todas esperando pelas apresentações que aconteceriam. No grupo, deveras inquieto, muitas faces conhecidas de várias épocas da minha vida, mas a maioria relembrava-me colegas. Ensino médio e universidade.

Talvez por isso, ou pelo fato da apresentação corrente ser uma chatice, o público parecia meio disperso. Alguns conversavam sobre suas vidas, outros dormiam. A mulher, que vestia preto, no palco, apresentava sinais de irritação, e sua voz alternava de intensidade. Também possuía um rosto familiar, porém agora não consigo distingüir exatamente sua identidade. Talvez uma professora, talvez uma atriz de novela, o fato é que era bonita.

Sua irritação aumentava, enquanto os espectadores não davam a mínima. No limite da sua paciência, com uma segurança em que eu não esperava, disse em tom docente:

"Aqueles que não se interessam e apenas atrapalham o andar desta apresentação, por favor se retirem"

E, embasbacado, vi a quase totalidade das pessoas retirar-se, ofendidos. Enquanto saíam, a mulher, humilhada, continuo sua apresentação. Não consegui proferir nem uma palavra, quando, de novo inesperadamente, um celular começou a tocar. Tive a impressão de ser meu, apesar do som extremamente baixo. Fui para a porta da igreja/salão para atendê-lo, e uma voz que parecia estar ali, e não no aparelho, disse-me alguma coisa. O dito já foi apagado da minha memória, e o que segue é um tanto nebuloso.

A cena corta para outra em que todos, agora vestidos com roupas esportivas, agrupavam-se na frente de um vestiário. E aqui a vibração do ambiente cai vertiginosamente.

Entrei no vestiário com a clara necessidade de tomar banho. O lugar fedia. Completamente sujo, azulejos velhos e com tom de fungos de piscina. Apenas uma lâmpada no teto, deixando o ambiente com pouquíssima claridade. Liguei um dos chuveiros. A água que saía não era tão suja quanto imaginava. Outros tomavam banho por ali, quando um fiscal do lugar entrou no recinto. Ele queria verificar se todos estavam seguindo as regras. Um homem acocorado embaixo de um dos chuveiros chorava, e o fiscal prontamente o retirou do lugar.

Arrumei minhas coisas, joguei o que estava errado no box ao lado, e tratei de me retirar daquele lugar absurdo.

Como saí não lembro. A vontade de ir embora aumentava e convidei um dos meus colegas para sair junto. Ofereci-lhe uma carona. E a vibração diminui ainda mais.

Entramos no carro e dirigi saindo dali. Cheguei numa rua familiar perto da minha real casa, e o carro apagou. Estava extremamente escuro. Meu amigo desapareceu do carona, e o carro morto. Consegui deixá-lo na calçada e fui em direção a um posto uma quadra adiante. O posto também fedia. Minúsculo, mais parecia um estacionamento. Pedi ajuda que me foi negada. Segui para outro posto, esse sim um pouco mais amigável. O frentista disse que me ajudaria, porém iria cobrar-me.

Voltamos ao carro e eis que este tinha sumido. Mas como se ele estava apagado e sem a chave? Em sonhos, detalhes como este não importam.

Em um acesso de loucura, o frentista começou a dar marretadas em uma caminhonete que estava ao lado, e um incêndio iniciou-se. A loucura, agora minha e não do frentista, chegou ao seu ápice. Um míssel apareceu em cima do fogo, e pessoas, que antes não estavam ali, desesperadas fugiam. Uma grande explosão ocorreu, e tudo em um raio de três quadras foi queimado. Mulheres carbonizantes gritavam, e eu, em chamas, continuava ali, vivo.

Uma sensação de que uma grande entidade me perseguia, tomava conta. Pequenos bebês-robô (criaturas voadoras, com cabeças metálicas e corpo anão) também pressentiam algo horrível os perseguindo. Uma grande máquina em forma de pássaro apareceu, atacando as criaturas. Logo eu me torno seu alvo principal. Não tinho escapatória, e nessa hora me dei conta de que estava num mundo parecido com o criado pelo Pink Floyd em The Wall. Em seguida a música Empty Spaces começou a tocar. O Grande pássaro/avião/máquina corría raivoso atrás de mim e dizia: "Voce se tornará o pneu dianteiro do avião" e, impotente, fiz o que ele disse. A sensação do grande peso do avião, com o atrito no chão era horrível, e comecei a perder forças. Cuspido para fora, e voltando a ser algo parecido com um homem, olhei aquele terrível monstro que agora tinha mais de 15 metros de altura, em chamas, com o céu negro em tempestade as suas costas. Ele me atacou e a dor foi insuportável.

Me vejo alguns segundos depois, subindo a rua que dá em minha casa. O medo já diminuiu, mas a vontade de chegar em casa era grande. As mãos tremiam enquanto pegava a chave. Um motoqueiro, escondido na rua, me observava. Era óbvio que iria me assaltar. A chave parecia não funcionar e ele notou que eu o notei. Finalmente encontrei a chave, abrí o portão e os olhos.

Estou na minha cama, garganta e corpo doendo. A sensação de que alguém me observava ainda existia, e pensamentos relacionados ao sonho voltaram. Tentei permanecer acordado, e dei algumas cochiladas. Pensava em uma luz branca, e na sensação de paz, forçadamente. Consegui me acalmar e durmi de novo.

********************

Alguns dizem que sempre nos desprendemos do corpo quando dormimos. E que apesar de inconscientes, habitamos uma dimensão um pouco mais etérea, em que pensamentos se materializam. Dizem também que é possível permanecer conscientes em lugares desse tipo. E isso que é chamado de Viagem Astral.

Não sei o que é mais difícil de acreditar, que isso tudo saiu de minha mente, ou que eu vivenciei esses acontecimentos integrando minha imaginação com a de outros. A questão é que coisas fantásticas assim são interessantíssimas para se limitarem a uma pessoa.

Da próxima vez que sonhares, tenta te lembrar e escreve teu sonho.


"Imagination is more important then knowledge"

Albert Einstein


Big Earl
Ainda não achei minha nave

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